| Capa da versão impressa do Correio da Manhã (Photo credit: Wikipedia) |
O jornal português Correio da Manhã
é um jornal que pode ser entendido como “popular”: com predominância de
notícias “hard news” e temas mais voltados ao cotidiano da população. A
versão impressa do jornal é feita em formato tabloide, formato este que
na Europa é vinculado a jornais sensacionalistas, frequentemente
contendo algum conteúdo picante. Nota-se também que o jornal faz uso do
modelo clássico de portais: notícias julgadas importantes no topo da
página, acompanhadas de fotos grandes; seguidas na parte de baixo por
pequenas apresentações de manchetes das editorias. Pelo widget com as
últimas publicações e fazendo uma comparação com outros portais
semelhantes, como o Diário de Notícias, percebe-se que há uma frequência razoável de publicações.
Sendo um jornal que se apresenta como de
interesse geral, a estratégia faz sentido, mas não deixa de ser
conservadora. Em um meio em que os novos grandes nomes são redes de
blogs especializados como Gawker Media,
manter os esquemas de interesse geral faz parecer que o jornal quer
manter o público cativo. A ênfase em reforçar nos leitores a leitura da
versão impressa dá mais base a esta conclusão.
Então é de se esperar que os pontos
futuros da análise apontem para o conservadorismo? A resposta é sim. No
site o uso de multimídia é lugar comum, comparado a outros jornais:
fotos profissionais ilustram matérias, vídeos não produzidos pelo
próprio veículo são expostos a título de entretenimento e infográficos
apenas razoáveis completam a paleta de mídia. Não há suporte há
apresentações do tipo Slideshare
(nem proprietárias nem externas) e não há produção própria de vídeos.
Percebe-se também que o departamento de arte não é dos mais competentes.
O conservadorismo persiste nas
capacidades de interação. Lugar comum entre grandes e pequenos
webjornais, os meios de interação com a equipe do site são os
comentários nas notícias e através de formulário de e-mail. As mídias
sociais exibidas no site são apenas Twitter e Facebook,
não havendo sequer uma lista dos perfis profissionais dos jornalistas. E
não foi detectada interação com os seguidores nestes sites.
Mídias sociais que são usadas de maneira
pobre. Os perfis do jornal tanto no Facebook quanto no Twitter são de
noticiação geral. Não existem perfis específicos para as editorias, para
um melhor tratamento dos tópicos e personalização de notícias.
Também não há nenhuma espécie de
associação hipertextual para construção das notícias. Não existem dentro
dos textos das notícias links para relatorias de agencias reguladoras
nem outros sites noticiosos. Uma prática comum na TV evita citar marcas
ou veículos terceiros para evitar fazer propaganda não proposital. É de
se especular se não há uma continuidade desta prática da mídia de massa
no site do Correio da Manhã.
Percebe-se então que o Correio da Manhã é
um site “perfeitamente razoável”. A ironia aparece quando se percebe
que são justamente os sites razoáveis que estão enfrentando situação
periclitante para sobreviver. Como dito antes, atores inovadores como
Gawker Media e Huffington Post
inovaram ao trazer para sua metodologia de criação uma rede de autores
externos ao veículo e ao tornar os comentaristas construtores
secundários do conteúdo.
Atentando ao que aconteceu com os
veículos de imprensa na Europa e nos EUA que não inovaram antes que
viessem à bancarrota, pode-se especular um futuro ruim para o site do
Correio da Manhã.
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