Sobre interatividade
Uma análise histórica diz que a
palavra interatividade é uma derivação da palavra interactivity (TRINDADE & BRITO DE SOUZA)(1), descrevendo um novo conceito
de computação que surgiu na década de 1960, onde qualquer função de interação
era tratada como interatividade.
Mas daqui em diante vamos tratar
“interatividade” nos atendo mais às raízes do conceito habitual, de “influencia
ou ação recíproca entre pessoas e/ou coisas”(2). Essa é uma definição
mais abrangente para a concepção de que a interatividade na Web é uma forma de
comunicação em duas vias, onde um reagente adiciona novas informações às já
disseminadas por um agente primeiro, havendo possibilidade de novas rodadas
futuras de interação.
Pode-se dizer que as
possibilidades de interação na Web crescem na mesma marcha da evolução técnica
dos blocos de construção da internet (linguagens de programação, bibliotecas de
código, etc.). Chats, sistemas de comentários, fóruns, shoutboxes, mídias sociais e uma miríade de outras ferramentas
trazem possibilidades de modificação do entendimento de conteúdos na Web
através da interatividade.
Pollyana Ferrari (apud TRINDADE
& BRITO DE SOUZA) diz que
as experiências interativas são divididas entre triviais e não‐triviais. Na trivial, o receptor opta por caminhos contidos na obra/site, em um universo limitado de variáveis pré‐definidas pelo autor/jornalista/designer. Já na não‐trivial, o receptor pode acrescentar informações à base já disponível. O sistema é aberto e a obra ‐ ou o site ‐ está em constante transformação.
Desse modo, a maior parte das
ferramentas de interação nos sites jornalísticos são triviais: sistemas de
comentários, enquetes, especiais audiovisuais, etc.; todas essas ferramentas
são feitas tendo em mente que o usuário siga um caminho predeterminado.
Na esfera das ferramentas
não-triviais, cabem os chats com especialistas e a colheita de conteúdo nas
mídias sociais. Por essa “colheita” entenda-se o processo em que, por exemplo,
um apresentador televisivo persuade seus telespectadores a emitir opiniões
marcadas com, digamos, uma hashtag no Twitter, para depois um membro da
produção do programa escolher conteúdos desses a serem exibidos ao vivo no
programa. Um programa de TV aberta que usa essa estratégia é “Encontro com
Fátima Bernardes”, da Rede Globo.
Prosseguimos com as análises de
casos.